Instituto Fernandes

Política Global de Privacidade

Tratado Normativo de Governança de Dados, Proteção da Privacidade e Bioética Digital.
Em estrita conformidade com a Lei nº 13.709/2018 (LGPD) e Resoluções do Conselho Federal de Psicologia.

Compliance LGPD Sigilo Profissional Soberania de Dados

O INSTITUTO FERNANDES DE NEUROPSICOLOGIA E TECNOLOGIA LTDA (doravante denominado "CONTROLADOR" ou "INSTITUTO"), pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob o nº 52.751.381/0001-44, com sede, foro e administração na cidade de Franca, Estado de São Paulo, estabelece, promulga e ratifica o presente Tratado de Privacidade e Governança de Dados.

Este instrumento não se resume a uma mera formalidade regulatória ou burocrática; ele representa a materialização do compromisso ético, bioético e jurídico do Instituto com a autodeterminação informativa, a intimidade e a dignidade da pessoa humana. Reconhecemos, com a devida gravidade, que no exercício da Neuropsicologia Clínica e da Saúde Mental, não gerenciamos apenas "bytes", "arquivos" ou "bancos de dados", mas a própria biografia, a psique, as vulnerabilidades e os segredos mais profundos de nossos pacientes.

"A proteção de dados na esfera da saúde mental constitui um imperativo bioético de primeira ordem. Na era do 'Big Data' e da Inteligência Artificial, assegurar a soberania do indivíduo sobre seus dados neurológicos (Neuro-Rights) é proteger a integridade de sua própria consciência e subjetividade."

Assim, esta Política foi desenhada para ser um documento vivo e transparente, detalhando minuciosamente como o ecossistema Health Architect coleta, processa, armazena e protege as informações que nos são confiadas, garantindo que a tecnologia sirva à humanidade, e não o contrário.

I. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E ESCOPO DOUTRINÁRIO

A presente Política de Privacidade foi estruturada sob a égide do ordenamento jurídico brasileiro, tratados internacionais de Direitos Humanos e normativas setoriais de saúde, com estrita observância aos seguintes diplomas:

  • Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: Especialmente o Art. 5º, incisos X (inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem) e LXXIX (proteção de dados pessoais como direito fundamental autônomo), elevando a proteção de dados ao status de Cláusula Pétrea.
  • Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018): Em sua integralidade, com ênfase no rigoroso regime de tratamento de Dados Sensíveis (Art. 11), nos Direitos do Titular (Art. 18) e na Responsabilidade dos Agentes de Tratamento (Art. 42).
  • Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014): Regulamentação da guarda de registros de conexão (Art. 13), neutralidade da rede e requisitos de segurança lógica para aplicações de internet.
  • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990): Observância do princípio do "Melhor Interesse" (Best Interest) no tratamento de dados de menores, exigindo camadas adicionais de proteção e consentimento parental específico.
  • Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005): Art. 9º, que impõe o dever de sigilo profissional absoluto sobre as informações colhidas no exercício da profissão, protegendo a confidencialidade da relação terapêutica.
  • Resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP): Normativas nº 01/2009 (Obrigatoriedade e Guarda de Prontuário), nº 06/2019 (Elaboração de Documentos Psicológicos) e nº 11/2018 (Regulamentação do Atendimento Online/Telepsicologia).

II. GLOSSÁRIO TÉCNICO E DEFINIÇÕES LEGAIS

Para assegurar a univocidade de interpretação, a segurança jurídica e a clareza deste instrumento para o Titular, adotam-se as seguintes definições:

  • DADO PESSOAL SENSÍVEL Categoria especial de dados que versa sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico. No ecossistema do Instituto, esta categoria é a predominante, abrangendo anamneses, laudos neuropsicológicos, resultados de testes psicométricos e registros audiovisuais de sessões.
  • HEALTH ARCHITECT Metodologia proprietária e sistema algorítmico do Instituto Fernandes utilizado para a estruturação, análise vetorial e correlação de dados clínicos. Este sistema auxilia no diagnóstico diferencial e na medicina de precisão, mas jamais substitui o julgamento clínico humano.
  • PSEUDONIMIZAÇÃO Tratamento técnico avançado por meio do qual um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo, senão pelo uso de informação adicional (chaves de criptografia) mantida separadamente pelo controlador em ambiente segregado e seguro.
  • CONTROLADOR E OPERADOR O Instituto atua como Controlador (quem toma as decisões sobre o uso dos dados). As plataformas tecnológicas contratadas (servidores de nuvem, sistemas de prontuário) atuam como Operadores (quem processa os dados em nome do controlador), seguindo estritas diretrizes contratuais.

III. MAPEAMENTO DO TRATAMENTO (ROPA) E BASES LEGAIS

Em conformidade com o Princípio da Transparência e da Finalidade, e atendendo à exigência de registro das operações de tratamento, detalhamos abaixo a taxonomia dos dados tratados, suas finalidades específicas e a base legal legitimadora:

Categoria de Dados Finalidade Específica do Tratamento Base Legal (LGPD)
Identificação Civil
Nome completo, CPF, RG, Endereço, E-mail, Telefone.
Abertura de ficha cadastral, formalização do Contrato de Prestação de Serviços, emissão de Nota Fiscal de Serviços (NFS-e) junto à Prefeitura, agendamento e comunicação administrativa. Execução de Contrato (Art. 7º, V) e Obrigação Legal (Art. 7º, II - Código Tributário).
Dados Clínicos (Sensíveis)
Anamnese, histórico familiar, queixas, sintomas, uso de fármacos.
Investigação diagnóstica profunda, elaboração de plano terapêutico individualizado, evolução diária em prontuário e intervenção clínica direta. Tutela da Saúde (Art. 7º, VIII e Art. 11, II, 'f') - Procedimento realizado por profissionais de saúde.
Dados Psicométricos
Testes de QI, Escalas (SRS-2, BDI), Tempos de Reação.
Processamento no motor Health Architect para geração de métricas de inteligência, atenção e funções executivas, visando o diagnóstico diferencial. Tutela da Saúde e Legítimo Interesse na precisão técnica do diagnóstico.
Dados Biométricos
Imagem e voz em sessões de Telemedicina.
Realização de sessões terapêuticas online e observação clínica comportamental (Exame do Estado Mental). Tutela da Saúde e Consentimento (quando houver gravação para fins de supervisão).
Metadados Digitais
Endereço IP, User-Agent, Logs de Acesso, Cookies.
Garantia da segurança da informação, prevenção a ataques cibernéticos (WAF), auditoria de acessos e cumprimento do Marco Civil da Internet. Obrigação Legal (Lei 12.965/14, Art. 15) e Segurança (LGPD).

IV. DO CICLO DE VIDA E GUARDA DOS DADOS (RETENÇÃO)

O Instituto Fernandes implementa uma política rígida de retenção de dados ("Data Retention Policy"), baseada na legislação sanitária, fiscal e civil brasileira. O titular deve estar plenamente ciente de que o direito à exclusão (Art. 18, VI da LGPD) não é absoluto quando houver obrigação legal ou regulatória de guarda.

4.1. Prontuários Psicológicos (Temporalidade)

Conforme o Art. 15 da Resolução CFP nº 01/2009, o prontuário psicológico e todo o material decorrente da avaliação (folhas de resposta, desenhos, relatórios brutos, anotações clínicas) devem ser mantidos sob guarda segura e sigilosa pelo prazo mínimo de 05 (cinco) anos, podendo este prazo ser estendido por determinação judicial, em casos de interrupção da prescrição ou para defesa em processo administrativo/judicial.

4.2. Documentos Fiscais e Contratuais

Notas fiscais, contratos assinados e comprovantes de pagamento são mantidos por 5 (cinco) anos, conforme prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional para fins de auditoria fiscal e tributária.

4.3. Descarte Seguro (Sanitização de Dados)

Após o exaurimento das finalidades e o transcurso dos prazos legais de guarda obrigatória, os dados são eliminados utilizando técnicas forenses de Secure Wiping (sobrescrita lógica) em mídias digitais e fragmentação mecânica (incineração ou trituração nível P-4 DIN 66399) para documentos físicos, garantindo a irreversibilidade do processo e impossibilitando a recuperação da informação.

V. PROTOCOLOS DE SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Reconhecendo a criticidade extrema dos dados tratados (saúde mental), o Instituto adota uma arquitetura de segurança cibernética baseada no conceito militar de Defense in Depth (Defesa em Profundidade), alinhada aos padrões internacionais ISO/IEC 27001 e HIPAA:

  • Criptografia de Nível Militar: Todos os dados sensíveis em repouso (Data at Rest) são criptografados em bancos de dados utilizando o algoritmo AES-256. Dados em trânsito trafegam exclusivamente via túneis TLS 1.3 com Perfect Forward Secrecy.
  • Controle de Acesso (IAM): O acesso aos prontuários é segregado e concedido estritamente sob a necessidade de serviço (Need-to-Know). Utilizamos autenticação multifator (MFA) obrigatória para toda a equipe clínica.
  • Rastreabilidade (Audit Trails): Todas as interações com o sistema (visualização, edição, exportação de laudos) geram logs de auditoria imutáveis, permitindo a identificação precisa e forense de "quem acessou o quê e quando".
  • Backup e Redundância: Mantemos backups diários, criptografados e geo-redundantes (armazenados em múltiplos data centers distintos) para garantir a disponibilidade dos dados mesmo em cenários de catástrofe.

VI. COMPARTILHAMENTO DE DADOS E TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL

O sigilo é o pilar fundamental da nossa atuação. O Instituto Fernandes NÃO COMERCIALIZA, ALUGA OU CEDE dados pessoais a terceiros para fins publicitários ou de marketing. O compartilhamento ocorre estritamente nas seguintes hipóteses de necessidade operacional ou legal:

Hipóteses Taxativas de Compartilhamento

  1. Equipe Clínica Multidisciplinar: Compartilhamento horizontal estrito entre os profissionais de saúde do corpo clínico do Instituto (psicólogos, neuropsicólogos, psiquiatras) para discussão de caso, supervisão clínica e fechamento diagnóstico, sempre em ambiente controlado.
  2. Operadores de Infraestrutura (Cloud): Utilizamos serviços de nuvem de classe mundial (ex: AWS, Google Cloud, Microsoft Azure) que podem armazenar dados em servidores no exterior. Nestes casos, garantimos a conformidade através de Cláusulas Contratuais Padrão (SCCs) e verificamos certificações de segurança globais.
  3. Requisição Judicial ou Administrativa: Mediante ordem expedida por autoridade judicial competente, Ministério Público ou Conselhos de Classe (CRP/CRM) em processos fiscalizatórios, limitando-se o compartilhamento ao escopo estrito da ordem recebida.
  4. Proteção da Vida: Em situações de emergência médica comprovada, onde o titular esteja fisicamente incapaz de consentir, dados vitais podem ser compartilhados com equipes de socorro (Art. 11, II, 'e' da LGPD).

VII. DIREITOS DO TITULAR (HABEAS DATA)

A LGPD (Art. 18) empodera o titular com direitos que podem ser exercidos a qualquer momento, mediante requisição gratuita ao nosso DPO. O Instituto compromete-se a facilitar o exercício desses direitos:

  • Acesso e Transparência: Direito de obter cópia integral de seus dados e informações detalhadas sobre o tratamento realizado. (Nota: Para documentos psicológicos, o acesso pode requerer entrevista devolutiva presencial ou online, conforme normas éticas do CFP).
  • Retificação: Correção imediata de dados incompletos, inexatos ou desatualizados em nosso cadastro.
  • Portabilidade Clínica: Solicitar a transferência de seu histórico clínico e laudos a outro profissional de saúde ou clínica, em formato estruturado e interoperável.
  • Revisão de Decisões Automatizadas: Direito de solicitar revisão humana sobre quaisquer análises preliminares realizadas pelo sistema Health Architect.
  • Oposição e Revogação: Opor-se a tratamentos realizados com base em uma das hipóteses de dispensa de consentimento, em caso de descumprimento da LGPD, ou revogar o consentimento previamente dado.

VIII. DISPOSIÇÕES FINAIS E FORO

Esta Política é um documento vivo e poderá ser atualizada a qualquer tempo para refletir inovações tecnológicas ou legislativas. A versão vigente será sempre a mais recente publicada nesta página.

Para dirimir quaisquer controvérsias oriundas deste documento, as partes elegem o Foro da Comarca de Franca, Estado de São Paulo, renunciando expressamente a qualquer outro, por mais privilegiado que seja, aplicando-se a legislação brasileira vigente.

Encarregado de Proteção de Dados (DPO)

Para exercer seus direitos de titular, solicitar exclusão de dados ou reportar incidentes de segurança, contate nosso canal oficial:

dpo@institutofernandesneuro.com
Resposta em até 15 dias Conformidade ANPD Canal Criptografado

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